2ª Bienal das Amazônias em Belém recebe visitas durante a COP 30

Na rota das principais Bienais, a mostra exibe trabalhos de 74 artistas e coletivos de oito países Pan-Amazônicos

outubro 1, 2025
Rita Soares
2ª Bienal das Amazônias em Belém recebe visitas durante a COP 30

A 2ª Bienal das Amazônias, que está na rota das principais Bienais do Brasil, estará aberta para visitas durante a COP 30. Até agora, várias autoridades políticas já visitaram o Centro Cultural Bienal das Amazônias (CCBA), onde ocorre a mostra, e esse ritmo deve se intensificar até as semanas da conferência. “Várias delegações devem passar pela Bienal, haja vista a sua importância no cenário das artes no Brasil”, destaca o diretor jurídico do Instituto Bienal das Amazônias Thiago Lima, que já recebeu embaixadores e representantes de consulados de diversos países, ministras, presidência da Funarte, entre outras autoridades.

Só no primeiro mês de funcionamento, mais 12.200 pessoas visitaram a Bienal das Amazônias. Ao participar da abertura da mostra, em agosto, a presidenta da Fundação Nacional de Artes (Funarte), Maria Fernandes Marighella, disse que a Bienal das Amazônias já é calendarizada e integra a rede de Bienais de arte brasileiras. Ela defendeu ainda que o prédio do CCBA, na Rua Manoel Barata, se torne o pavilhão definitivo da Bienal. “Essa Bienal não é tão somente um evento, é um equipamento de cultura, e digo que é uma honra para o Brasil, e também nas suas relações internacionais, praticar essa experiência artística e cultural nesse território”, disse.

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2ª Bienal das Amazônias 

Com o conceito curatorial Verde-Distância, a mostra, que reúne trabalhos de 74 artistas e coletivos de oito países da Pan-Amazônia e do Caribe, a 2ª Bienal das Amazônias seguirá aberta até 30 de novembro, com entrada gratuita. Esta edição apresenta uma constelação de práticas artísticas que atravessam territórios, sonhos, memórias, linguagens e escutas. A curadoria é de Manuela Moscoso (curadora-chefe), junto com Sara Garzón (curadora adjunta), Jean da Silva (cocurador do programa público), e Mónica Amieva (curadora pedagógica).

A diretora de projetos especiais do Instituto Bienal das Amazônias Vânia Leal diz que a Bienal está sendo um marco, um diferencial. “Ela ocupa um prédio inteiro, com uma curadoria extremamente cuidadosa, que reuniu a Pan-Amazônia num sentido muito forte, presencial, identitário, e que de fato conecta as Amazônias”, avalia.

Ainda segundo Vânia, quem visita a segunda edição, se depara com essa conexão identitária de povos amazônidas. “A Bienal das Amazônias aparece na rota das principais Bienais do Brasil por ela trazer esse frescor, essa Pan-Amazônia, de uma forma tão identitária, de uma forma tão aproximada, de um contexto planetário, com as ancestralidades, com os povos amazônicos, de uma forma forte, fluída e muito aproximada”, destaca. 

A 2ª edição conta com patrocínio master do Nubank, Shell e Vale, e patrocínio do Mercado Livre, todos por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Conta ainda com o apoio institucional do Instituto Cultural Amazônia do Amanhã (ICAA) e da Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa na Amazônia (FADESP).

Segundo Manuela Moscoso, a 2ª Bienal se orienta por atmosferas, forças relacionais e condições de escuta. O ponto de partida curatorial foi a expressão “verde-distância”, retirada do romance Verde Vagomundo, do escritor paraense Benedicto Monteiro. “Distância não é ausência. É matéria. É uma forma de relação que preserva em vez de isolar, que permite o cuidado sem domínio e a copresença sem fusão”, afirma a curadora. “Verde-distância é também uma ética de escuta — uma atenção ao que resiste à tradução, ao que se move entre corpos e mundos sem se deixar capturar”, analisa. Essa abordagem atravessa toda a exposição, que se articula em torno de três forças sensíveis — sonhos, memória e sotaque — já presentes, de diferentes formas, nas práticas dos artistas participantes.

Manuela explica que a 2ª Bienal das Amazônias – Verde-Distância é fruto de um processo curatorial construído por meio de visitas, escutas e pesquisas em territórios brasileiros como Marajó, Amapá, Acre e Boa Vista, e pan-americanos como Guiana, Suriname, Peru, Equador, Colômbia, entre outros territórios. “Buscamos criar uma exposição que amplifique o trabalho dos artistas e que atue como experiência sensível e intelectual para quem a atravessa. Uma curadoria que se constrói como narrativa viva, feita de encontros entre práticas distintas, vozes múltiplas e presenças potentes da região pan-amazônica e para além dela”, afirma Moscoso.

A identidade visual da 2ª Edição da Bienal das Amazônias foi criada pela designer Priscila Clementti e pelo artista Bonikta. A expografia é assinada pela arquiteta Isabel Xavier, segundo a qual o projeto expográfico pensou espaços que convidam as pessoas a acessarem de maneira ativa e criativa o exercício do sonho. “O gesto construtivo preza pela bioeconomia amazônida e formas de presença conectadas ao território, agregando valor e fortalecendo as cadeias produtivas locais em consonância com a multiplicidade de sotaques proposta pela curadoria”, explica Isabel. 

Oito mil metros quadrados 

A mostra ocupa os oito mil metros quadrados do Centro Cultural Bienal das Amazônias (CCBA), reunindo obras que atravessam espiritualidade, sonoridade, corporalidade, narração e resistência. Em vez de impor um percurso fixo, a exposição se constrói como território em movimento, onde práticas artísticas se entrelaçam com histórias, ritmos e formas de viver. Conforme Manuela Moscoso, é um lugar que convida à presença, à pausa e à escuta. “Queremos criar uma experiência que se afirme com densidade e cuidado, um percurso encarnado, feito de encontros, intervalos e sentidos que não se fecham”, finaliza.

A 2ª edição da Bienal das Amazônias faz parte da Temporada França-Brasil 2025, evento que visa dar um novo impulso à relação bilateral entre os dois países. A França apoia artistas dos territórios ultramarinos franceses que expõem nesta edição.

O gerente executivo de Comunicação e Marca da Shell Brasil, Glauco Paiva, frisa a importância de apoiar eventos como a Bienal das Amazônias. “A Shell acredita que a cultura é uma poderosa ferramenta para o desenvolvimento de um país. Através do nosso apoio à Bienal das Amazônias estamos possibilitando, juntos, a visibilidade e valorização dos artistas daquela região”, diz. 

Hugo Barreto, diretor-presidente do Instituto Cultural Vale, também destaca a importância desse apoio institucional. “Há 40 anos atuamos no Pará e temos buscado democratizar o acesso à cultura, valorizando a diversidade de expressões artísticas da região. A Bienal das Amazônias é um dos grandes momentos desse movimento, ainda mais relevante neste ano que antecede a COP30”. 

Agendamento de grupos 

Visitas individuais não precisam ser agendadas, apenas as visitas mediadas para os grupos (delegações, grupos escolares, universitários, ONG's, coletivos e organizações dos movimentos sociais). A pessoa articuladora é responsável por solicitar o pré-agendamento pelo formulário e aguardar retorno da equipe pedagógica via e-mail, confirmando a data e o horário. O agendamento da visita mediada garante um horário com a equipe de mediação e se destina para grupos a partir de 10 pessoas. No formulário, deve ser especificado se é necessário algum suporte de tradução em inglês, espanhol ou Libras.

Serviço

2ª Bienal das Amazônias – Verde-Distância
De 27 de agosto a 30 de novembro de 2025
Centro Cultural Bienal das Amazônias – Rua Manoel Barata, 400 – Belém, PA
www.bienalamazonias.org.br; www.2.bienalamazonias.com.br 

Instagram: @bienalamazonias
Imprensa: +55 (91) 99282-9518 / 99212-9882
comunicacao@bienalamazonias.com.br

Horário de funcionamento do CCBA

Sgunda-feira e terça-feira fechado; quarta e quinta-feira das 9h às 17h; sexta e sábado das 10h às 20h; e domingos e feriados das 10h às 15h. A última entrada é sempre uma hora antes do fechamento.

Artistas e coletivos participantes da 2ª Bienal das Amazônias

Aileen Gavonel + Máxima Acuña - PERU

Aimemma Uai - COLÔMBIA

Alessandro Fracta - BRASIL

Akha - BRASIL

Amazoniando - BRASIL

Ana Maria Millan - COLÔMBIA

Ana Ruas - BRASIL

Andres Pereira Paz - BOLÍVIA

Angelica Alomoto - EQUADOR

Antonio Paucar - PERU

Astrid Gonzalez - COLÔMBIA

Augusto N. Martinez - EQUADOR

Bárbara Savannah - BRASIL

Brus Rubio - PERU

Buga Peralta - BRASIL

Carla Duncan - BRASIL

Carchíris - BRASIL

Chico Ribeiro - BRASIL

Danilo S’Acre - BRASIL

Dayro Carrasquilla - COLÔMBIA

Delfina Nina - PERU

Emperatriz Plácido San Martín - PERU

Estado Fosil - EQUADOR

Feliciano Lana - BRASIL

Gianfranco Annichini - ITÁLIA/PERU

Gustavo Toaquiza Ugsha - EQUADOR

Gwladys Gambie - MARTINICA

Isabella Celis Campos - COLÔMBIA

Jaider Esbell - BRASIL

Jean-François Boclé - MARTINICA

Jim c Ned - COLÔMBIA

John Lie A Fo - SURINAME

Jose Luis Macas - EQUADOR

Joseca Yanomami - BRASIL

Julia Chambi López - PERU

Julieth Morales - COLÔMBIA

Keisha Scarville - EUA/GUIANA

Kenia Almaraz Murillo - BOLÍVIA

Kuenan Mayu - BRASIL

La vulcanizadora - COLÔMBIA

Linda Ponguta - COLÔMBIA

Lucía Pizzani - VENEZUELA

Mapa Teatro + Nükak - COLÔMBIA

Marajó Estampado - BRASIL

Marcelle Nascimento - BRASIL

Marie-Claire Messouma - FRANÇA/GUADALUPE

Mali Salazar - PERU

Mauricio Igor - BRASIL

Mayro Romero - EQUADOR

Nathalie Leroy Fiévée - GUIANA FRANCESA

Nathyfa Michel - GUIANA FRANCESA

Olinda Silvano - PERU

Osvaldo Gaia - BRASIL

Patty Wolf - BRASIL

Pedro Neves - BRASIL

Peter Minshall - GUIANA

Regina Vater (uma obra em conjunto com Roberto Evangelista) - BRASIL

Remy Jungerman - SURINAME

Rinaldo Klas - SURINAME

River Claure - BOLÍVIA

Roberto Evangelista - BRASIL

Roma Rio - BRASIL

Ronny Quevedo - EQUADOR

Rubén Elías Barrios Rodríguez - COLÔMBIA

Sara Flores - PERU

Silvana Mendes - BRASIL

Simon Speiser - EQUADOR

Simon Uribe - COLÔMBIA

Tawna - EQUADOR

Wilson Díaz - COLÔMBIA

Wira Tini - BRASIL

Zahy Tentehar - BRASIL

Zimar - BRASIL

 

Equipe curatorial da 2ª Bienal das Amazônias reunida em uma escada, composta por cinco integrantes.

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